Gravidade abaixo de zero


Passei um tempo tentando fazer da coragem que escrevo algo concreto, tentando incorporar esse sentimento para deixar de me esconder. Logo eu, que sempre falei que as palavras são produto da alma, me esqueci que a sumida, na verdade, sempre esteve por aqui. Eu que fiz questão de soterrá-la com um bando de bobeiras, já que tenho o dom de complicar sempre as coisas. 

Acho que exagerei na dose do exagero. Certas inseguranças vão acontecer, e é normal. Claro que dá pra melhorar, mas não enquanto continuar colocando-as em primeiro lugar. Porque aí elas roubam a cena, levam o medo e o desastre junto e fazem o cenário desandar. Não dá pra dar cartaz aos sentimentos ruins. Eles fazem parte do espetáculo, mas os protagonistas entram com leveza. 


Isso, a leveza! Deixa ela soprar esse medo pra bem longe, quando a gente não dá muita ideia pra isso, vai superando e nem percebe. Simplifica, vai. Não tem necessidade de tanta tempestade num copo d'água quando podemos pintar o nosso próprio céu azul, enchê-lo de sonhos e, vez por outra, deixar que transborde em forma de chuva. Chorar o leite derramado uma hora cansa, vem comigo, sem se preocupar muito com o destino. Que problema tem não saber pra onde ir? Você sabe que vai chegar lá na hora certa, chega dessas urgências que te dão a impressão de estar em atraso constante. 

Se desliga do mundo, lá fora há pressa demais. E às vezes a paz que falta é a calma de deixar as coisas serem o que são. Sem tantas cobranças, só meditação interior, paz consigo mesmo e com a vida, na sua trivialidade e na fatalidade de ser. Só isso. Nem é tanto assim, vai. Confia em mim. Gravidade abaixo de zero, negatividade fora de órbita e estrelas de sobra pra pintar o destino que quiser.


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